Por que a TPM aumenta a vontade de comer doce e a sensação de inchaço?
Por acaso, nos últimos dias, você abriu o armário pensando em chocolate e, na hora de vestir a calça, ela simplesmente não fechou como sempre fecha?
Eu te conto: você não está exagerando, nem sem disciplina. Existe uma explicação fisiológica para esses dois sintomas aparecerem juntos e ela tem nome: fase lútea.
Por que bate a vontade de comer doce?
Depois da ovulação, a progesterona aumenta e, caso não ocorra gravidez, tanto a progesterona quanto o estrogênio diminuem nos dias que antecedem a menstruação. Essas oscilações hormonais parecem influenciar sistemas neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, do apetite e da sensação de bem-estar, especialmente os relacionados à serotonina.
Ao mesmo tempo, muitas mulheres relatam aumento do apetite e maior desejo por alimentos ricos em carboidratos e açúcar durante essa fase do ciclo. Uma das hipóteses mais aceitas é que o consumo de carboidratos favoreça a disponibilidade de triptofano para o cérebro, aminoácido precursor da serotonina, contribuindo temporariamente para a sensação de conforto e bem-estar.
Ou seja: a vontade de comer doce na TPM não é apenas uma questão de força de vontade. Ela pode estar relacionada a adaptações fisiológicas e neuroquímicas que acontecem naturalmente ao longo do ciclo menstrual.
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E a calça apertada?
Ao mesmo tempo, as alterações hormonais da fase lútea podem influenciar mecanismos envolvidos no equilíbrio de líquidos do organismo, incluindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), responsável pela regulação de sódio e água.
Como consequência, algumas mulheres apresentam retenção hídrica temporária, que pode se manifestar como sensação de inchaço abdominal, mamas mais sensíveis, extremidades inchadas e pequenas oscilações de peso corporal.
Em média, essas variações costumam ser transitórias e podem representar cerca de 0,5 a 2 kg, dependendo das características individuais.
Ou seja: a roupa apertada na fase lútea, na maioria das vezes, está muito mais relacionada à retenção de líquidos do que ao ganho de gordura corporal.
Esse quadro tende a melhorar naturalmente nos primeiros dias da menstruação, quando os níveis hormonais começam a se estabilizar novamente.
Mas os dois aparecem juntos sempre?
Não é coincidência que vontade de comer doce e sensação de inchaço costumem surgir na mesma semana.
Ambos são consequências das adaptações hormonais que acontecem durante a fase lútea e fazem parte das manifestações mais comuns da tensão pré-menstrual (TPM).
A intensidade dos sintomas varia bastante entre as mulheres, mas entender o que está acontecendo no corpo ajuda a lidar com esse período de forma mais leve e estratégica.
O que pode ajudar?
Hidratação
Manter uma boa ingestão de líquidos ajuda o organismo a regular o equilíbrio hídrico e apoia a função renal.
Como referência geral, recomenda-se uma ingestão diária em torno de 35 a 40 mL de água por quilograma de peso corporal, sempre considerando fatores individuais, nível de atividade física e orientação profissional.
Nutrientes com evidências para TPM
Alguns nutrientes têm sido estudados pelo potencial de auxiliar na redução de sintomas pré-menstruais, especialmente magnésio, vitamina B6 e ácidos graxos ômega-3.
Embora os resultados sejam promissores, as evidências ainda apresentam heterogeneidade entre os estudos, e qualquer suplementação deve ser individualizada e orientada por um profissional de saúde.
Movimento e sono
A prática regular de atividade física e uma rotina de sono consistente também podem contribuir para uma melhor qualidade de vida durante a fase lútea.
O exercício físico favorece a liberação de endorfinas e pode auxiliar na regulação do humor, enquanto o sono adequado participa da recuperação física e do equilíbrio hormonal.
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Para aquela vontade de doce
Se a vontade de chocolate aparecer, uma estratégia interessante pode ser optar por versões com maior teor de cacau, como chocolates com 70% ou mais.
Além de conter menos açúcar, o cacau é fonte de compostos bioativos e fornece pequenas quantidades de magnésio e triptofano, nutrientes envolvidos em vias relacionadas ao bem-estar e à síntese de neurotransmissores.
Entender o que acontece no corpo durante a fase lútea ajuda a trocar culpa por estratégia.
Pequenos ajustes na alimentação, hidratação, sono e atividade física podem tornar esse período mais confortável para muitas mulheres.

Dra. Dani Canineo
Médica Nutróloga e Mestra em saúde. Especialista em longevidade feminina e fisiculturista natural
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