Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, conhecida como SOMP, é uma desordem endócrina multifatorial e metabólica que afeta mulheres em idade reprodutiva, frequentemente associada ao crescimento e disfunção ovariana, níveis excessivos de androgênios (hormônios sexuais responsáveis por características masculinas) e resistência à insulina.
Os sintomas da SOMP são: menstruação irregular, acne, oleosidade da pele, aumento de pelos, dificuldade para controlar o peso, cansaço, alterações de humor e baixa autoestima.
Por isso, hoje a ciência olha para a SOMP de uma forma mais ampla: não basta apenas regular o ciclo menstrual. Também é importante cuidar da qualidade de vida.
O que a SOMP tem a ver com qualidade de vida?
A qualidade de vida envolve como a mulher se sente no dia a dia: sua energia, sono, autoestima, humor, imagem corporal, disposição e bem-estar.
Na SOMP, esses pontos podem ser impactados por vários fatores ao mesmo tempo. Uma mulher pode estar lidando com acne, ciclos irregulares, dificuldade para emagrecer e cansaço persistente. Naturalmente, isso pode afetar sua confiança e sua relação com o próprio corpo.
Estudos mostram que mulheres com SOMP podem apresentar pior qualidade de vida, especialmente em aspectos emocionais, físicos e relacionados à imagem corporal.
Por que isso acontece?
A SOMP é uma condição complexa, pois está associada à resistência à insulina, uma situação em que o corpo precisa produzir mais insulina para controlar a glicose no sangue.
Esse excesso de insulina pode favorecer maior produção de hormônios androgênicos, como a testosterona, contribuindo para sintomas como acne, aumento de pelos e irregularidade menstrual.
Além disso, a SOMP pode estar relacionada a inflamação de baixo grau, alterações metabólicas e na qualidade do sono e maior risco de ansiedade.
A alimentação pode ajudar?
Sim, mas é importante entender um ponto: não existe uma dieta única para todas as mulheres com SOMP.
Os estudos mostram que padrões alimentares equilibrados e sustentáveis podem melhorar a sensibilidade a insulina, reduzir a inflamação, melhorar o metabolismo fornecendo mais disposição no dia a dia.
Por tanto, é importante priorizar:
- vegetais, frutas e legumes;
- feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas;
- cereais integrais;
- proteínas de boa qualidade;
- azeite, castanhas, sementes e outras gorduras boas;
- alimentos ricos em fibras;
- menor consumo de ultraprocessados, açúcar em excesso e bebidas adoçadas.
Mais do que seguir uma dieta restritiva, o objetivo é construir uma rotina alimentar possível, adaptável a realidade de cada pessoa, prazerosa e consistente.
NÃO É SÓ SOBRE PESO
Um erro comum é achar que o cuidado com a SOMP se resume ao emagrecimento.
A perda de peso pode trazer benefícios para algumas mulheres, especialmente quando há sobrepeso ou obesidade. Mas, mudança do estilo de vida com boas fontes alimentares e prática de atividade física diária, reduzem quadros inflamatórios, além de melhorar a autoestima e consequentemente podendo gerar mudanças na balança.
E o intestino?
A relação entre intestino e SOMP também vem sendo estudada. A microbiota intestinal participa do metabolismo, da imunidade e inflamação.
Estudos sugerem que cuidar da saúde intestinal pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.
Por isso, uma alimentação rica em fibras, vegetais e alimentos minimamente processados pode ser uma aliada importante.
Onde entra a suplementação?
A suplementação pode ser uma boa estratégia quando há necessidades nutricionais específicas ou dificuldade de atingir determinados nutrientes apenas pela alimentação.
Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada e não tratam ou curam a SOMP, porém podem ser um aliado quando indicado corretamente por um profissional capacitado.
Cuidar da SOMP é entender o próprio corpo e construir uma rotina mais possível, gentil e alinhada às suas necessidades.

Dra. Dani Canineo
Médica Nutróloga e Mestra em saúde. Especialista em longevidade feminina e fisiculturista natural
Referências consultadas
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