Por Isabel Emerich – Nutricionista
Quando pensamos em vitamina D, a primeira associação costuma ser a saúde dos ossos. E isso faz todo sentido: ela é fundamental para a absorção de cálcio e para a manutenção da massa óssea ao longo da vida.
Mas a ciência também mostrou que sua atuação no organismo vai além da saúde óssea.
Hoje sabemos que a vitamina D participa do funcionamento do sistema imunológico, da saúde muscular, do equilíbrio hormonal, da função cerebral e da renovação da pele. Não por acaso, ela é considerada um dos nutrientes mais importantes para o bom funcionamento do organismo.
Ao mesmo tempo, a deficiência de vitamina D continua sendo bastante frequente. Mesmo em países ensolarados como o Brasil, a hipovitaminose D ainda é frequente. Rotina em ambientes fechados, baixa exposição solar, uso regular de proteção contra radiação ultravioleta, idade, composição corporal e algumas condições clínicas podem dificultar a manutenção de níveis adequados.
Neste artigo, você vai entender por que a vitamina D é tão importante para a saúde feminina e qual é a relação desse nutriente com a fertilidade, o humor e a pele.
O que é a vitamina D?
Apesar de ser conhecida como vitamina, ela atua no organismo de forma semelhante a um hormônio.
Grande parte é produzida pela pele após a exposição à luz solar, enquanto uma pequena quantidade pode ser obtida pela alimentação, principalmente por meio de peixes gordurosos, gema de ovo e alguns alimentos fortificados.
Depois de produzida ou ingerida, a vitamina D passa por processos de ativação no fígado e nos rins até se transformar na sua forma biologicamente ativa.
Seu papel é muito mais amplo do que muitas pessoas imaginam.
Atualmente, já foram identificados receptores para vitamina D em diversos tecidos do organismo, incluindo cérebro, músculos, sistema imunológico, ovários, útero e pele, demonstrando sua participação em centenas de processos fisiológicos importantes para a saúde.
Quais são os sintomas da deficiência de vitamina D?
Nem sempre a deficiência provoca sinais evidentes.
Na verdade, muitas mulheres convivem com níveis baixos durante meses ou até anos sem perceber.
Quando aparecem, os sintomas podem incluir:
● cansaço frequente
● baixa disposição
● fraqueza muscular
● dores musculares
● alterações de humor
● dificuldade de recuperação após exercícios
● maior frequência de infecções
● alterações na saúde óssea quando a deficiência permanece por longos períodos
Esses sintomas não são exclusivos da deficiência de vitamina D, mas podem ser um sinal de que o estado nutricional precisa ser investigado.
Vitamina D e fertilidade: qual é a relação?
Nos últimos anos, a ciência passou a investigar a participação da vitamina D na saúde reprodutiva feminina.
Hoje sabemos que ovários, endométrio, placenta e folículos ovarianos possuem receptores específicos para esse nutriente.
Isso significa que ela participa de processos importantes relacionados ao funcionamento do sistema reprodutivo.
Estudos sugerem que níveis adequados de vitamina D podem estar associados a processos importantes da saúde reprodutiva, com:
● funcionamento saudável dos ovários
● desenvolvimento dos folículos
● receptividade do endométrio
● equilíbrio imunológico necessário durante o processo reprodutivo
Em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) atualmente nomeada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), por exemplo, a deficiência de vitamina D é bastante frequente e vem sendo associada a alterações metabólicas e hormonais.
Embora a fertilidade dependa de muitos fatores, investigar e corrigir a deficiência de vitamina D, quando presente, pode fazer parte de uma estratégia nutricional mais completa para mulheres em cuidado reprodutivo.
A vitamina D influencia o humor?
A resposta é: tudo indica que sim.
O cérebro possui receptores para vitamina D, e esse nutriente participa da regulação de processos relacionados à comunicação entre os neurônios, ao funcionamento do sistema nervoso e ao controle da resposta inflamatória.
Diversos estudos observam uma associação consistente entre baixos níveis de vitamina D e maior frequência de sintomas depressivos e redução da sensação de bem-estar.
Em pessoas com deficiência, a correção dos níveis pode contribuir para melhora do humor e da disposição, principalmente quando faz parte de uma abordagem que também inclui alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e outros hábitos saudáveis.
Ainda existem pesquisas em andamento sobre esse tema, mas o conjunto das evidências reforça a importância de manter níveis adequados desse nutriente para a saúde como um todo.
Qual é a relação entre vitamina D e pele?
A pele é um dos órgãos mais influenciados pela vitamina D.
Além de participar da sua produção, ela também responde diretamente à ação desse nutriente.
A vitamina D está envolvida em processos importantes como:
● renovação celular
● manutenção da barreira de proteção da pele
● resposta imunológica
● controle de processos inflamatórios
● recuperação tecidual
Pesquisas também investigam seu papel em condições como dermatite atópica, acne e psoríase, reforçando que um bom estado nutricional pode contribuir para uma pele mais saudável.
A beleza da pele também começa de dentro para fora.
Quais alimentos são ricos em vitamina D?
A vitamina D está presente naturalmente em poucos alimentos, por isso alcançar uma ingestão adequada apenas pela alimentação costuma ser um desafio.
As principais fontes alimentares são:
● salmão
● sardinha
● atum
● gema de ovo
● fígado bovino
● cogumelos expostos à luz ultravioleta
● alimentos fortificados, quando disponíveis
Por esse motivo, a exposição solar e, quando necessário, a suplementação alimentar torna-se estratégias importantes para manter níveis adequados.
Quem tem maior risco de deficiência?
Algumas pessoas apresentam maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina D, entre elas:
● mulheres que passam grande parte do dia em ambientes fechados
● pessoas com pouca exposição ao sol
● idosos
● indivíduos com obesidade
● pessoas com doenças intestinais que reduzem a absorção de nutrientes
● mulheres em fases da vida que apresentam maior demanda nutricional
Mesmo em países com alta incidência solar, estudos mostram que a deficiência continua sendo bastante prevalente.
Quando a suplementação pode ser uma aliada?
Embora a exposição solar seja a principal forma de obtenção da vitamina D, nem sempre ela é suficiente para garantir níveis adequados.
A alimentação também contribui, mas poucos alimentos fornecem quantidades significativas desse nutriente.
Por isso, a suplementação de vitamina D tornou-se uma estratégia amplamente utilizada por médicos e nutricionistas para auxiliar na manutenção de níveis adequados, especialmente quando a ingestão é insuficiente, a exposição solar é limitada ou exames laboratoriais identificam deficiência.
Quando bem indicada, a suplementação pode fazer parte de uma estratégia nutricional para apoiar a saúde óssea, muscular, imunológica e metabólica, contribuindo para o funcionamento adequado do organismo. Ela não deve ser feita de forma indiscriminada. Doses elevadas, sem acompanhamento, podem aumentar o risco de excesso de vitamina D e alterações no metabolismo do cálcio. Por isso, a melhor estratégia é individualizar a indicação a partir da alimentação, exposição solar, exames, fase de vida e histórico clínico.
Saúde feminina é construída todos os dias
Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse e uma suplementação nutricional adequada, trabalham em conjunto para promover mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida.

Isabel Emerich
Nutricionista, Mestra e Doutora, com atuação em saúde metabólica feminina, equilíbrio hormonal e composição corporal
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