Vitamina D não é só para os ossos: entenda o papel desse nutriente na fertilidade, no humor e na saúde da pele
em 11/07/2026

Vitamina D não é só para os ossos: entenda o papel desse nutriente na fertilidade, no humor e na saúde da pele

Por Isabel Emerich – Nutricionista

Quando pensamos em vitamina D, a primeira associação costuma ser a saúde dos ossos. E isso faz todo sentido: ela é fundamental para a absorção de cálcio e para a manutenção da massa óssea ao longo da vida.

Mas a ciência também mostrou que sua atuação no organismo vai além da saúde óssea.

Hoje sabemos que a vitamina D participa do funcionamento do sistema imunológico, da saúde muscular, do equilíbrio hormonal, da função cerebral e da renovação da pele. Não por acaso, ela é considerada um dos nutrientes mais importantes para o bom funcionamento do organismo.

Ao mesmo tempo, a deficiência de vitamina D continua sendo bastante frequente. Mesmo em países ensolarados como o Brasil, a hipovitaminose D ainda é frequente. Rotina em ambientes fechados, baixa exposição solar, uso regular de proteção contra radiação ultravioleta, idade, composição corporal e algumas condições clínicas podem dificultar a manutenção de níveis adequados.

Neste artigo, você vai entender por que a vitamina D é tão importante para a saúde feminina e qual é a relação desse nutriente com a fertilidade, o humor e a pele.

O que é a vitamina D?

Apesar de ser conhecida como vitamina, ela atua no organismo de forma semelhante a um hormônio.

Grande parte é produzida pela pele após a exposição à luz solar, enquanto uma pequena quantidade pode ser obtida pela alimentação, principalmente por meio de peixes gordurosos, gema de ovo e alguns alimentos fortificados.

Depois de produzida ou ingerida, a vitamina D passa por processos de ativação no fígado e nos rins até se transformar na sua forma biologicamente ativa.

Seu papel é muito mais amplo do que muitas pessoas imaginam.

Atualmente, já foram identificados receptores para vitamina D em diversos tecidos do organismo, incluindo cérebro, músculos, sistema imunológico, ovários, útero e pele, demonstrando sua participação em centenas de processos fisiológicos importantes para a saúde. 

Quais são os sintomas da deficiência de vitamina D?

Nem sempre a deficiência provoca sinais evidentes.

Na verdade, muitas mulheres convivem com níveis baixos durante meses ou até anos sem perceber.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir:

        cansaço frequente

        baixa disposição

        fraqueza muscular

        dores musculares

        alterações de humor

        dificuldade de recuperação após exercícios

        maior frequência de infecções

        alterações na saúde óssea quando a deficiência permanece por longos períodos

 

Esses sintomas não são exclusivos da deficiência de vitamina D,  mas podem ser um sinal de que o estado nutricional precisa ser investigado.

Vitamina D e fertilidade: qual é a relação?

Nos últimos anos, a ciência passou a investigar a participação da vitamina D na saúde reprodutiva feminina.

Hoje sabemos que ovários, endométrio, placenta e folículos ovarianos possuem receptores específicos para esse nutriente.

Isso significa que ela participa de processos importantes relacionados ao funcionamento do sistema reprodutivo.

Estudos sugerem que níveis adequados de vitamina D podem estar associados a processos importantes da saúde reprodutiva, com:

        funcionamento saudável dos ovários

        desenvolvimento dos folículos

        receptividade do endométrio

        equilíbrio imunológico necessário durante o processo reprodutivo

 

Em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) atualmente nomeada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), por exemplo, a deficiência de vitamina D é bastante frequente e vem sendo associada a alterações metabólicas e hormonais.

Embora a fertilidade dependa de muitos fatores, investigar e corrigir a deficiência de vitamina D, quando presente, pode fazer parte de uma estratégia nutricional mais completa para mulheres em cuidado reprodutivo.

A vitamina D influencia o humor?

A resposta é: tudo indica que sim.

O cérebro possui receptores para vitamina D, e esse nutriente participa da regulação de processos relacionados à comunicação entre os neurônios, ao funcionamento do sistema nervoso e ao controle da resposta inflamatória.

Diversos estudos observam uma associação consistente entre baixos níveis de vitamina D e maior frequência de sintomas depressivos e redução da sensação de bem-estar.

Em pessoas com deficiência, a correção dos níveis pode contribuir para melhora do humor e da disposição, principalmente quando faz parte de uma abordagem que também inclui alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e outros hábitos saudáveis.

Ainda existem pesquisas em andamento sobre esse tema, mas o conjunto das evidências reforça a importância de manter níveis adequados desse nutriente para a saúde como um todo.

Qual é a relação entre vitamina D e pele?

A pele é um dos órgãos mais influenciados pela vitamina D.

Além de participar da sua produção, ela também responde diretamente à ação desse nutriente.

A vitamina D está envolvida em processos importantes como:

        renovação celular

        manutenção da barreira de proteção da pele

        resposta imunológica

        controle de processos inflamatórios

        recuperação tecidual

Pesquisas também investigam seu papel em condições como dermatite atópica, acne e psoríase, reforçando que um bom estado nutricional pode contribuir para uma pele mais saudável.

A beleza da pele também começa de dentro para fora.

Quais alimentos são ricos em vitamina D?

A vitamina D está presente naturalmente em poucos alimentos, por isso alcançar uma ingestão adequada apenas pela alimentação costuma ser um desafio.

As principais fontes alimentares são:

        salmão

        sardinha

        atum

        gema de ovo

        fígado bovino

        cogumelos expostos à luz ultravioleta

        alimentos fortificados, quando disponíveis

 

Por esse motivo, a exposição solar e, quando necessário, a suplementação alimentar torna-se estratégias importantes para manter níveis adequados.

Quem tem maior risco de deficiência?

Algumas pessoas apresentam maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina D, entre elas:

        mulheres que passam grande parte do dia em ambientes fechados

        pessoas com pouca exposição ao sol

        idosos

        indivíduos com obesidade

        pessoas com doenças intestinais que reduzem a absorção de nutrientes

        mulheres em fases da vida que apresentam maior demanda nutricional

 

Mesmo em países com alta incidência solar, estudos mostram que a deficiência continua sendo bastante prevalente.

Quando a suplementação pode ser uma aliada?

Embora a exposição solar seja a principal forma de obtenção da vitamina D, nem sempre ela é suficiente para garantir níveis adequados.

A alimentação também contribui, mas poucos alimentos fornecem quantidades significativas desse nutriente.

Por isso, a suplementação de vitamina D tornou-se uma estratégia amplamente utilizada por médicos e nutricionistas para auxiliar na manutenção de níveis adequados, especialmente quando a ingestão é insuficiente, a exposição solar é limitada ou exames laboratoriais identificam deficiência.

Quando bem indicada, a suplementação pode fazer parte de uma estratégia nutricional para apoiar a saúde óssea, muscular, imunológica e metabólica, contribuindo para o funcionamento adequado do organismo. Ela não deve ser feita de forma indiscriminada. Doses elevadas, sem acompanhamento, podem aumentar o risco de excesso de vitamina D e alterações no metabolismo do cálcio. Por isso, a melhor estratégia é individualizar a indicação a partir da alimentação, exposição solar, exames, fase de vida e histórico clínico.

Saúde feminina é construída todos os dias

Uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse e uma suplementação nutricional adequada, trabalham em conjunto para promover mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida.

Isabel Emerich
Nutricionista, Mestra e Doutora, com atuação em saúde metabólica feminina, equilíbrio hormonal e composição corporal

Referências consultadas

  1. Holick MF. Vitamin D deficiency. N Engl J Med. 2007;357(3):266-281. doi:10.1056/NEJMra070553.
  2. Holick MF, Binkley NC, Bischoff-Ferrari HA, Gordon CM, Hanley DA, Heaney RP, et al. Evaluation, treatment, and prevention of vitamin D deficiency: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011;96(7):1911-1930. doi:10.1210/jc.2011-0385.
  3. Lerchbaum E, Obermayer-Pietsch B. Vitamin D and fertility: a systematic review. Eur J Endocrinol. 2012;166(5):765-778. doi:10.1530/EJE-11-0984.
  4. Pérez-López FR, Brincat M, Erel CT, Tremollieres F, Gambacciani M, Lambrinoudaki I, et al. EMAS position statement: Vitamin D and postmenopausal health. Maturitas. 2012;71(1):83-88. doi:10.1016/j.maturitas.2011.11.002.
  5. Muscogiuri G, Altieri B, Annweiler C, Balercia G, Orio F, Paschou SA, et al. Vitamin D and chronic diseases: the current state of the art. Arch Toxicol. 2017;91(1):97-107. doi:10.1007/s00204-016-1804-x.
  6. Bikle DD. Vitamin D metabolism, mechanism of action, and clinical applications. Chem Biol. 2014;21(3):319-329. doi:10.1016/j.chembiol.2013.12.016.
  7. Parker GB, Brotchie H, Graham RK. Vitamin D and depression. J Affect Disord. 2017;208:56-61. doi:10.1016/j.jad.2016.08.082.
  8. Umar M, Sastry KS, Chouchane AI. Role of vitamin D beyond the skeletal function: a review of the molecular and clinical studies. Int J Mol Sci. 2018;19(6):1618. doi:10.3390/ijms19061618.
  9. Wehr E, Pilz S, Schweighofer N, Giuliani A, Kopera D, Pieber TR, et al. Association of hypovitaminosis D with metabolic disturbances in polycystic ovary syndrome. Eur J Endocrinol. 2009;161(4):575-582. doi:10.1530/EJE-09-0432.
  10. Ceglia L, Harris SS. Vitamin D and its role in skeletal muscle. Calcif Tissue Int. 2013;92(2):151-162. doi:10.1007/s00223-012-9645-y.
  11. Owens DJ, Allison R, Close GL. Vitamin D and the athlete: current perspectives and new challenges. Sports Med. 2018;48(Suppl 1):3-16. doi:10.1007/s40279-017-0841-9.